Neuroma acústico, também conhecido como Schwannoma vestibular é um tumor benigno raro dos nervos auditivo ou vestibulares. É geralmente de crescimento lento e se expande a partir do seu ponto de origem, na bainha do nervo.
O sintoma mais comum é a perda auditiva no lado afetado pelo tumor. A causa destas lesões geralmente é desconhecida, mas pode ser genética em alguns casos. Se o tumor se torna grande, ele pode empurrar a superfície do tronco encefálico ou cerebral e este crescimento contínuo do tumor pode ameaçar a função de partes do cérebro.

O que é um neuroma acústico?

Um neuroma acústico é um tumor benigno, ou seja não canceroso, que surge no oitavo nervo craniano (nervo vestíbulo-coclear), geralmente na região do ouvido interno.

Este nervo tem duas partes distintas, uma parte associada com a transmissão dos estímulos sonoros ou auditivos para o cérebro e outra com a transmissão das informações do equilíbrio e balanço de nosso corpo.

O oitavo nervo (nervo vestíbulo-coclear), juntamente com o nervo facial ou sétimo par craniano, estão adjacentes uns aos outros quando eles passam através de um canal ósseo chamado de canal ou conduto auditivo interno. Este canal tem aproximadamente 2 cm de comprimento e é geralmente neste canal que os neuromas acústicos são mais frequentes, originários a partir da bainha (que é uma espécie de capa protetora) em torno do oitavo nervo.

O sétimo nervo ou facial fornece estímulos nervoso para o movimento dos músculos de expressão facial, mas também é responsável em parte pela sensação de gosto e pela função de algumas glândulas de nosso corpo, como as glândulas salivares e lacrimais.

Neuromas acústicos geralmente crescem lentamente durante um período de vários anos e muitas vezes podem ser assintomáticos. Porém, quando estes tumores se expandem em seu local de origem podem provocar sintomas, principalmente relacionados com perda auditiva.

Os tumores são considerados pequenos quando apresentam menos que 1,50 cm em seu maior eixo, médios quando têm entre 1,51 cm a 2,50 cm e grandes quando são maiores que 2,51 cm em seu maior eixo.

À medida que estes tumores vão crescendo, eles podem inclusive deslocar o tecido cerebral normal e pressionar áreas do cérebro.

Com este crescimento, o tumor pode sair do canal auditivo interno em uma área chamado de ângulo pontocerebelar, pois fica na confluência do osso temporal com o cerebelo. Quando isto acontece, o tumor geralmente assume uma forma de pêra, com a menor extremidade dentro do canal auditivo interno e a maior parte em contato com tecido cerebral.

Tumores maiores inclusive podem comprimir em outro nervo que se encontra em região próxima. Este nervo é o trigêmeo, que é responsável por grande parte da sensibilidade facial.

Dependendo do tamanho e localização do neuroma, algumas funções vitais podem ser ameaçadas, principalmente quando a lesão causa compressão no tronco encefálico e cerebelo.

Quais são os sintomas?

Os primeiros sintomas são facilmente esquecidos e às vezes o paciente nem se preocupa, tornando o diagnóstico precoce dos neuromas do acústico um desafio.

O primeiro sintoma em 90% daqueles com um tumor é a redução da audição em um ouvido, muitas vezes acompanhada de zumbido. A perda de audição é geralmente sutil e piora lentamente, embora ocasionalmente uma perda súbita da audição possa acontecer.

Pode haver uma sensação de plenitude no ouvido afetado. Estes sintomas iniciais podem muitas vezes ser confundidos com alterações normais do envelhecimento, ou atribuídos à exposição ao ruído e, portanto, o diagnóstico muitas vezes é tardio.

Outros sintomas que também podem acontecer são instabilidade e problemas de equilíbrio ou mesmo vertigem (a sensação de que o mundo está girando). Isto pode acontecer principalmente durante o crescimento do tumor, que vai comprimindo os nervos vestibulares podendo causar estas sensações de perda do equilíbrio.

Tumores maiores podem pressionar o nervo trigêmeo, causando dormência e formigamento, que pode ser contínuo ou intermitente, na face.

Tumores grandes também podem causar aumento da pressão intracraniana e isto pode se relacionar com dores de cabeça, andar desajeitado e até mesmo confusão mental. Esta pode ser uma complicação com risco de vida, necessitando de tratamento urgente.

Neuromas acústicos são hereditários?

A maioria dos neuromas acústicos ocorre espontaneamente, sem qualquer evidência de hereditariedade.

Neuromas acústicos são freqüentes?

A incidência está aumentando, por causa dos avanços nos exames de imagem, principalmente nos avanços da ressonância magnética. Antigamente a pessoa poderia até ter um pequeno neuroma do acústico, entretanto, como não havia exames de imagem com muitos detalhes e com o acesso que alguns têm hoje em dia, muitas vezes a pessoa nem sabia que apresentava alguma lesão.

Quais as possíveis causas do neuroma acústico?

Ainda não se sabe quais as verdadeiras causas deste tumor.

Acredita-se que alguns defeitos em genes supressores de tumores podem dar origem a estes tumores em alguns indivíduos.

Outros estudos sugerem a exposição à ruídos intensos sobre uma base consistente. Um estudo recente mostrou uma relação de neuromas acústicos com a exposição prévia à radiação (radioterapia).

Há ainda controvérsias sobre o uso dos telefones celulares e aparelhos de micro-ondas.

Como saber se tenho um neuroma do acústico?

Os exames audiológicos de rotina (audiometrias), que devem ser realizadas anualmente por todos os indivíduos, podem revelar uma perda de audição e problemas na discriminação da fala (o paciente pode ouvir sons , mas não consegue compreender o que está sendo dito).

A ressonância magnética (RM) é o teste preferido para o diagnóstico e identificação de neuromas acústicos. Atualmente já é possível identificar tumores medindo apenas alguns milímetros de diâmetro.

Outro exame que pode ser realizado em alguns casos é o B.E.R.A. (que é uma espécie de audiometria do tronco encefálico). Este teste fornece informações sobre a passagem de um impulso elétrico ao longo do circuito da orelha interna para as vias do tronco cerebral. Um teste de B.E.R.A. com resposta anormal deve ser seguido por uma ressonância magnética ou tomografia computadorizada (TC) com contraste.

Quais são as opções de tratamento possíveis atualmente?

A escolha da melhor terapia para o neuroma do acústico é uma decisão que deve ser feita em conjunto pelo paciente e o médico otorrinolaringologista ou neurocirurgião, que são os profissionais mais preparados para o manejo deste tumor.

O tratamento deve ser indicado após análise cuidadosa da idade do paciente, sintomas, saúde física (inclusive outras doenças como diabetes, hipertensão, etc), tamanho do tumor e audição.

Os tratamentos possíveis atualmente incluem: observação, remoção cirúrgica e radiocirurgia.

1. Observação:

Neuromas acústicos podem ser descobertos por acaso, geralmente quando a pessoa realiza uma ressonância magnética para avaliar uma outra condição. Além disto, o tumor pode ser descoberto quando ainda é muito pequeno e há poucos sintomas.

Estes tumores produzem sintomas lentamente à medida que vão comprimindo os nervos ao redor. Por isto, a observação cuidadosa durante um período de tempo pode ser apropriada para alguns pacientes se os sintomas graves não estão presentes.

Outro exemplo de um grupo de pacientes para os quais a observação pode ser indicada inclui pessoas com tumor em ouvido único, ou, paciente com surdez em um lado e com um neuroma acústico no outro lado, que é a orelha responsável pela audição.

O tratamento cirúrgico é recomendado caso a audição esteja perdida ou se o tamanho do tumor se tornar um risco de vida.

2. A remoção cirúrgica:

Remoção parcial do tumor:

A remoção parcial de um neuroma acústico pode ser indicada em alguns pacientes, a fim de se reduzir o risco de complicações. Ocasionalmente, os tumores residuais, em seguida, podem ser irradiados ou uma nova cirurgia pode ser realizada. Isto pode ser indicado em pacientes mais idosos com tumores grandes causando um risco de morte ou em pacientes com tumores grandes, mas com ouvido único. Esta remoção parcial visa reduzir o tamanho do tumor para que este não cause ameaça maior para a saúde do paciente durante sua expectativa de vida.

Remoção total do tumor:

Muitos destes tumores podem ser totalmente removidos por cirurgia. Técnicas microcirúrgicas e, recentemente endoscópicas, juntamente com instrumentos específicos vêm reduzindo enormemente o risco cirúrgico de remoção total do tumor.

A preservação do nervo facial, para se evitar a paralisia facial permanente é a principal tarefa para o cirurgião. Entretanto, a preservação da audição também é um objetivo importante para pacientes que apresentam audição funcional.

3. Radiação:

Uma outra opção de tratamento para um neuroma acústico é a radiação. A radioterapia estereotáxica pode ser realizada em uma única fração ou em sessões múltiplas fracionadas. Ambas as técnicas de radiação são realizadas em ambiente ambulatorial, sem necessidade de anestesia geral ou internação hospitalar. O objetivo dessas técnicas não é a remoção do tumor, mas sim a parada do crescimento do neuroma do acústico e sua possível necrose. Isto é importante de ser escrito, pois a única maneira de remoção do tumor é com cirurgia.

Como é o seguimento após a cirurgia ou o tratamento com radiação?

O segmento inclui ressonância magnética e audiometria geralmente realizada entre 3 a 6 meses após a realização da cirurgia ou tratamento com radiação.

Anualmente estes exames devem ser repetidos durante vários anos para assegurar, que este tumor não está crescendo novamente.

Nos pacientes com paralisia facial transitória, sessões de fisioterapia podem ser indicadas. Já nos casos com paralisia permanente, outras cirurgias podem ser feitas para uma melhora estética e funcional da face.

Outros problemas também podem acontecer após o tratamento, tais como zumbidos (mesmo com a preservação da audição) e dores de cabeça.

O mais importante é ter paciência e uma excelente relação de segurança e confiança com seu médico otorrinolaringologista ou neurocirurgião que está cuidando de seu caso para que todas as dúvidas sejam respondidas e as melhores decisões possam ser tomadas em conjunto.