A perda gradativa de capacidade auditiva pode ser um dos sintomas da otosclerose.

Otosclerose é uma doença do ouvido médio, espaço que fica atrás da membrana do tímpano, que pode levar à perda auditiva. A doença leva a uma rigidez do estribo (um dos ossos que conduzem o som da membrana timpânica à cóclea).
Esta doença pode surgir em qualquer idade e sexo, embora seja mais frequente em mulheres por volta dos 30 anos. A perda da audição é lenta e gradual, geralmente em ambos os ouvidos, e o surgimento de zumbidos, algumas vezes acompanhado de vertigens, manifesta-se em conjunto com a perda auditiva.

Há vários estudos sobre possíveis causas da otosclerose, entretanto sabe-se que a doença é o resultado de uma formação óssea anormal, que acaba fixando ou prendendo parcialmente o estribo, impedindo as vibrações sonoras de passarem normalmente para a cóclea.
Diagnóstico:

O diagnóstico é realizado através de exame clínico e testes auditivos, como audiometria e impedanciometria. O estudo radiológico com uma tomografia computadorizada pode contribuir para a localização do foco de otosclerose.

Tratamento:

Embora a utilização de um aparelho auditivo possa melhorar a audição, o tratamento permanente pode ser cirúrgico.

Cirúrgico: através da substituição de um pequeno osso do ouvido, chamado estribo, por uma prótese de teflon ou metálica (procedimento conhecido como estapedectomia ou estapedotomia).***

Esta cirurgia pode ser feita com auxílio de microscópios ou endoscópios. Realizamos este tipo de procedimento com auxílio de endoscópios. Após a colocação da prótese, o paciente pode voltar a escutar normalmente.

De acordo com vários trabalhos já publicados na literatura médica, as chances de melhora auditiva significativa após a cirurgia são muito boas e as complicações raras.

Algumas complicações:

  • Alterações no gosto (temporárias)
  • Alterações no nervo facial
  • Perfurações Timpânicas
  • Surdez

*** Por isto é extremamente importante a realização deste procedimento por médico habilitado na realização destas cirurgias e que seja de sua plena confiança.

A surdez de Ludwig Van Beethoven – O grande drama de sua vida

“ Este surdo ouviu o infinito” – Victor Hugo

Foi no mês de junho de 1801 que, numa carta a um amigo que vivia em Bona, Ludwig Van Beethoven (1770 – 1827) confessou pela primeira vez que ouvia mal.

O problema tinha começado em 1797, mas só quatro anos mais tarde conseguiu confidenciar o mal de que padecia aos amigos mais íntimos.

Consultou vários médicos, mas nenhum conseguiu ajudá-lo, e teve que aceitar o agravamento da surdez.

A 6 de outubro de 1802, Beethoven, num estado de profundo desespero, escreveu aos seus dois irmãos uma carta, a qual mais tarde se veio a chamar “ O testamento de Heiligenstadt” . Convencido de que a surdez era um sinal de que a morte estava próxima, ele explicava nesta carta as razões do humor hostil que tinha manifestado nos últimos tempos, tendo em conta a sua situação desesperada.

“…..de há seis anos para cá tenho estado irremediavelmente doente, e o meu estado tem-se agravado com ajuda de médicos insensatos. Ano após ano, tenho sido ludibriado por falsas esperanças de obter melhoras, mas fui finalmente obrigado a aceitar a ideia de que tenho uma doença para toda a vida…….Oh quão fortemente me afetou este revés, esta experiência duplamente triste que é ser surdo.” Testamento de Heiligenstadt, Ludwig Van Beethowen.

Depois deste Heiligenstadt , a música de Beethowen tornou-se mais complexa. Tendo ultrapassado o desespero que o afligia, e com uma determinação fortalecida, entrou numa nova fase criativa. É exemplo a Sinfonia “Heróica”- a terceira, inicialmente dedicada a Napoleão e a quinta sinfonia.

Os anos que se seguiram a 1812 foram pouco produtivos. Beethoven esteve deprimido devido à surdez e ao isolamento que ela provocava, e também ao fracasso de suas expectativas conjugais. Foi neste período que escreveu algumas de suas composições mais profundas.

“….. Há dois anos que evito praticamente todas as reuniões sociais, porque me é impossível dizer às pessoas ”sou surdo”. Se tivesse outra profissão era bem mais fácil, mas nesta profissão, confesso que é um estado muito assustador…”  Ludwig Van Beethoven.

A nona sinfonia foi concluída em 1823, altura em que Beethowen estava completamente surdo. Apesar da surdez, ele insistiu em dirigir a estreia desta peça. No entanto, sem que ele o soubesse, ou percebesse, outro maestro marcava o tempo num local onde ele não o podia ver. Quando terminou o último andamento, Beethowen, não tinha se apercebido que a música tinha chegado ao fim, não se apercebeu também do tremendo aplauso com que o final da obra foi saudado. Foi, por isso, necessário pegar-lhe pelo braço e virá-lo para o público, para que ele pudesse ver a ovação que estava sendo presenteado.

Segundo consta no relatório de sua autópsia: “… a cartilagem do ouvido é enorme e tem uma forma irregular. A fosseta escafóide e, sobretudo, o pavilhão auricular, são muito grandes, com uma profundidade uma vez e meia superior à profundidade normal…”

No entanto, e com base na descrição dos sintomas, gerou-se um consenso geral entre os otologistas modernos quanto ao fato de a surdez do compositor ter sido causada por otosclerose do tipo “misto”, ou seja, com degeneração concomitante do nervo auditivo, o que resultou em perda auditiva.

Beethowen morreu em 26 de março de 1827 devido a pneumonia e cirrose hepática. Coma participação de mais de 20.000 pessoas, incluindo Franz Schubert, que ajudou a transportar o caixão, a procissão fúnebre de Beethowen foi grandiosa, num verdadeiro tributo à grandiosidade da música criada por ele.