FESS – Functional Endoscopic Sinus Surgery

FESS é um procedimento cirúrgico relativamente recente que se usa endoscópios nasais no tratamento de Sinusites e Polipose naso-sinusal, sob anestesia geral. Os endoscópios minimizam o corte e o trauma às estruturas nasais, tem diâmetros de 4mm e de 2,7mm e ângulos de visão variando de 0 graus a 30, 45, 70, 90 e 120 graus. Fornecem a iluminação e excelente imagem do interior das cavidades nasais.

Diversos cirurgiões contribuíram para o desenvolvimento da técnica a partir dos trabalhos pioneiros de Messrklinger e Stamberger (Graz, Áustria) e introduzida nos EUA Kennedy em 1985.

HÁ quatro seios nasais que podem ser tratados por meio desta cirurgia: o seio frontal; o seio maxilar por antrostomia; o etmóide anterior e posterior por dissecção cuidadosa da base do crâneo e lâmina orbital; e o esfenoidal acessível por esfenoidectomia.

O que é sinusite?

É a inflamação nas mucosas das cavidades existentes em diversos locais na estrutura óssea da face, que se comunica a fossa nasal. Estima-se que cada indivíduo ao longo do ano apresente 3 episódios gripais, dos quais 0,5% podem evoluir para sinusite.

Sinusite é, portanto queixa extremamente comum nos consultórios médicos e motivo frequente de encaminhamentos a otorrinolaringologistas, especialmente nos meses frios, mas no verão sua frequência é maior para usuários de ar condicionado durante o sono.

Pode-se diagnosticar a sinusite aguda com base apenas nos sintomas de dor, obstrução nasal, rinorréia purulenta, em muitos casos febre, e com exame clínico apropriado. O tratamento com antibióticos adequados é eficaz em quase todos os casos.

Alterações anatômicas (desvio de septo nasal, hipertrofia de cornetos ou adenoides) ou alérgicas favorecem a que novas crises de sinusite aguda possam ocorrer, embora entre essas o paciente fique completamente normal. Nestes casos de sinusite aguda recorrente pode ser indicado tratamento cirúrgico com o objetivo de melhorar a ventilação nasal e prevenir novos epsódios.

Alguns pacientes não respondem adequadamente ao tratamento clínico e permanecem com sinusite crônica. Não há normalização da mucosa nas cavidades paranasais, e a inflamação permanece causando dor e às vezes secreção purulenta. São, sem dúvida, os casos mais difíceis e amiúde necessitam tratamento cirúrgico.

Nos últimos anos, a introdução da videoendoscopia nasosinusal e tomografia computadorizada dos seios paranasais, melhorou dramaticamente o diagnóstico e compreensão das alternativas terapêuticas nas sinusites crônicas. Anteriormente o diagnóstico era limitado e impreciso contribuindo para maus resultados, e talvez para a falta de confiança nos procedimentos cirúrgicos para sinusite crônica ainda existente.

O desenvolvimento diagnóstico e de técnicas cirúrgicas muito contribui para os bons resultados obtidos na cirurgia atual da sinusite crônica. Ainda assim, estudos indicam que pacientes com rinite alérgica apresentam 50% de sucesso cirúrgico, contra índices de 88-90% de sucesso em indivíduos não alérgicos. Resultados mais limitados são obtidos em sinusites fúngicas ou em indivíduos debilitados ou imunodeprimidos.

Por fim, uma última lembrança: sinusite não é a única causa de dor de cabeça ou face. Frequentemente pacientes que imaginavam sofrer de sinusite apresentam cefaléia tensional, enxaqueca, alterações visuais e disfunção da articulação têmporo mandibular (bruxismo).

Sinusite tem cura?

– É uma pergunta frequente nos consultórios médicos; e a resposta é….
Sim, para a grande maioria dos pacientes.

O que é polipose naso–sinusal?

A polipose nasal ou naso-sinusal é uma doença benigna crônica que afeta a cavidade do nariz e os seios paranasais ou seios da face. Os pólipos são tecidos inchados que se desenvolvem a partir da mucosa do nariz e dos seios paranasais (espaços cheios de ar, que se comunicam com a cavidade nasal, no interior dos ossos do crânio e face), por conta de processos inflamatórios crônicos nestas mucosas.

Com a inflamação crônica, células mediadoras inflamatórias presentes em nosso organismo, como os eosinófilos, aumentam em número e provocam uma alteração nas células da mucosa do nariz e seios da face, fazendo com que haja uma desorganização no funcionamento da bomba de sódio e potássio que existe naturalmente em nossas células. Com esta alteração, o sódio, que está mais presente no meio extra-celular, ou seja, fora das células, acaba entrando pela membrana plasmática das células, trazendo consigo água. Esta água promove um inchaço nas células que acabam por desenvolver, no caso da mucosa nasal, os pólipos. Um grupo de pólipos recebe o nome de polipose, visto que se assemelha às formações marinhas (pólipos marinhos).

Geralmente, a polipose nasal tem associação com alergias, entretanto também há casos de poliposes nasais em que fungos estão presentes provocando uma reação inflamatória crônica na mucosa do nariz e seios paranasais e em casos de doenças genéticas associadas.

É bom também não confundir polipose nasal com pólipos nasais. Os pólipos nasais podem variar em tamanho, formato, coloração e localização. Podem apresentar tamanhos e formatos variados, desde massas arredondadas até como em “cachos de uvas”, coloração que varia de marrom amarelado a avermelhado, podem ser uni ou bilaterais e podem se localizar em diferentes regiões do nariz e seios da face.

Nem todos os pólipos nasais são uma polipose nasal. Há massas nasais, especialmente as unilaterais, que devem ser diferenciadas das poliposes. Exemplos de lesões unilaterais que não são poliposes nasais são os pólipos antro-coanais, ou pólipos de Killiam, que são lesões benignas, papilomas invertidos, nasoangiofibromas e até mesmo lesões malignas na cavidade nasal e seios da face.

Já na polipose nasal, os pólipos geralmente são bilaterais e quando aumentam de tamanho, especialmente em pacientes sem nenhum tipo de tratamento, eles podem causar obstrução nasal, alterações no olfato e bloquear a drenagem natural dos seios da face.

A polipose nasal pode também estar associada à outras condições tais como asma, sinusites de repetição e alergias à medicações, como o ácido acetilsalicílico (AAS). Alguns pacientes com fibrose cística e outras condições como doença de Churg-Strauss, também podem desenvolver polipose naso-sinusal.

Quais são os sintomas das poliposes naso-sinusais ?

Os principais sintomas das poliposes nasais são: obstrução nasal crônica e hiposmia ou anosmia, ou seja, diminuição ou ausência do olfato (cheiro).

Outros sintomas podem incluir alterações no paladar (gosto), tosse, secreção constante nasal (coriza ou corrimento nasal, como se fosse um resfriado constante), secreção constante na garganta, dores de cabeça (principalmente na região da frente da face), sensação de pressão facial, dentre outros.

Em alguns casos mais severos de poliposes nasais o paciente inclusive pode apresentar alguns distúrbios do sono, por não respirar adequadamente pelo nariz.

E como é o tratamento?

O tratamento requer uma avaliação com médico Otorrinolaringologista e é geralmente realizado pelo resto da vida, já que necessita de acompanhamento contínuo.

O tratamento consiste em medidas básicas para se evitar a inflamação crônica da mucosa do nariz e seios paranasais, como as lavagens nasais abundantes com soro fisiológico, várias vezes ao dia; medicações, geralmente anti-inflamatórios nasais em apresentação de “spray” ou até mesmo comprimidos ou injeções, além de em alguns casos anti-alérgicos e anti-fúngicos.

Tratamentos experimentais com outras medicações também são possíveis, desde que o paciente seja plenamente orientado pelo médico a cerca dos possíveis riscos e benefícios deste tratamento.

Entretanto, em grande parte dos casos o tratamento clínico, ou seja, com lavagens e medicações não é suficiente, pois os remédios e o soro fisiológico, pois mais que o paciente os use adequadamente, simplesmente não conseguem chegar nos locais atingidos pela presença dos pólipos. Nestes casos uma cirurgia pode ser indicada para a remoção e limpeza destes pólipos, além de uma abertura dos seios da face para que as lavagens e as medicações possam chegar aos locais de inflamação.

Vale ressaltar que a cirurgia também não oferece a cura aos pacientes. A cirurgia, que deve ser realizada em alguns casos, oferece um melhor controle terapêutico, fazendo com que a doença fique controlada pelo maior tempo possível. Às vezes, outras cirurgias são necessárias.